História

São Tomé e Príncipe

Da Era dos Descobrimentos ao “Grande Pousio”

As ilhas de São Tomé e Príncipe não conheciam a presença do Homem até 1470, quando os navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar as descobriram.

O arquipélago estava desabitado, pelo que os colonos portugueses foram os primeiros a habitar as ilhas. Depois dos colonos começaram a chegar escravos, sobretudo oriunda de Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Assente em boas condições climatéricas e geográficas e em mão-de-obra escrava, São Tomé torna-se, em 1560, líder mundial na produção de cana-de-açúcar, com escoamento garantido para os mercados do Norte europeu.

A produção de açúcar acaba por ser afetada pela concorrência da produção brasileira e pelos conflitos entre uma minoria branca e uma maioria negra, fragilizando a situação socioeconómica do país.

A situação agravou-se ainda mais com as invasões de corsários ingleses, franceses e holandeses, que invadiram, destruíram e ocuparam, por diversas vezes, São Tomé e Príncipe. Deu-se um grande êxodo dos plantadores falidos para o Brasil.

Deste modo, durante cerca de dois séculos (XVII e XVIII), o Arquipélago conheceu um período de despovoamento, em que a atividade local se destinava quase exclusivamente ao negócio de escravos e mantimentos para os navios.

Este período de paragem e recessão ficou conhecido como o “Grande Pousio”.

 

Do Renascentismo Económico a São Tomé e Príncipe dos séculos XX e XXI

Apesar do período de estagnação que afetou as ilhas, estas acabam por recuperar com a introdução do café, por volta de 1787, e do cacau, por volta de 1821.

Foi nesta altura de crescimento que muitas famílias portuguesas se instalaram e edificaram as grandes Roças, que ainda hoje são um ícone do arquipélago. São Tomé e Príncipe chegou mesmo a tornar-se, entre 1895 e 1905, o maior exportador de cacau do mundo.

No entanto, este apogeu acaba por ser afetado por perturbações sociais relacionadas com o problema da mão-de-obra escrava e com os primórdios dos primeiros movimentos abolicionistas. Os proprietários, com receio de perder o poder e riqueza, lutam com todos os meios contra a abolição da escravatura.

A abolição da escravatura viria a ocorrer em 1875, com a promulgação da lei que proibia em todos os domínios da África portuguesa, e que originaria o colapso de muitas destas fortunas.

Durante o estado novo, o arquipélago viria a beneficiar de ambiciosos projetos de urbanização e modernização da cidade e das infraestruturas das ilhas, como zonas residenciais, Aeroporto, estádio, escolas e piscina municipal.

Apesar da abolição formal da escravatura, muitos dos negros, apesar não serem considerados escravos, continuavam a ser tratados como tal. Deste modo, a revolta originou a formação de um sentimento nacionalista e independentista na sociedade são-tomense.

Em 1960, é criado o Comité de Libertação de São Tomé (CLSTP), que dá origem, em 1974, ao Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP).

Em plena Guerra Fria, as influências comunistas começam a fazer sentir-se.

Em 1974, a Revolução de 25 de Abril, em Portugal, põe termo ao regime de ditadura e, no ano seguinte, a 12 de Julho, São Tomé e Príncipe alcança a independência.

O MLSTP assume o poder e designa Manuel Pinto da Costa como primeiro Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, ao qual sucede, em 1991, ano das primeiras eleições livres, Miguel Trovoada, como Presidente da República.

Em 2001, é eleito Fradique de Menezes como Presidente da República.

Em 2011, ano em que se celebraram 36 anos de independência, é eleito Pinto da Costa como Presidente da República.